sexta-feira, 14 de julho de 2017

Gramíneas- responsáveis pelas primeiras civilizações

foto: Pipas Alves- Relva, capim ou grama
As gramíneas são plantas da família Poaceae  (poáceas) do grande grupo das angiospérmicas monocotiledóneas. Julga-se que há 66 milhões de anos já existissem plantas deste grupo, pois algumas foram encontradas nos dejetos dos dinossauros. Elas constituem uma das famílias mais bem-sucedidas das angiospérmicas havendo milhares de espécies espalhadas por todo o mundo ocupando todo o tipo de habitats. A sua grande adaptabilidade, o seu crescimento rápido – como é o caso da erva-elefante (Pennisetum purpureum) que cresce 4cm/dia - e a capacidade de colmatar a falta de água, fez delas verdadeiras sobreviventes. Quando secas basta apenas uma faísca para provocar um incêndio. Estes incêndios são extremamente perigosos na natureza mas são favoráveis à sobrevivência das gramíneas pois estas ardem muito rápido prejudicando essencialmente árvores e arbustos que ao morrerem deixam livre o espaço, para após o fogo, as gramíneas voltarem ainda mais fortes e dominarem a superfície terrestre. Quando esta colonização se deu, há muitos milhões de anos, obrigatoriamente “formatou” todo o reino animal incluindo o ser humano.
foto: Will Simonson - Feno-das-areias
Uma das defesas deste grupo de plantas são as suas folhas revestidas por cristais de sílica que atuam como punhais quando são consumidas desencorajando alguns animais.  Alguns mamíferos herbívoros, tiveram por isso que se adaptar tornando os seus molares mais largos e ideais para a maceração quer de plantas verdes quer de secas. Da mesma forma, e porque são uma considerável fonte de nutrientes, as gramíneas (cereais), passaram a fazer parte da dieta alimentar do homem, forçando os nómadas e os caçadores-recoletores a procurarem uma forma diferente de viver, fixa e mais próxima dos seus campos de cultivo.  A estes grupos foram-se juntando cada vez mais indivíduos formando sociedades e dando origem às primeiras civilizações.

Agricultura- a 1º grande revolução

foto: Will Simonson - Estorno -das -areias
Julga-se que há uma centena de mil anos atrás, uma mutação genética na planta antiga de trigo, terá permito que os grãos pudessem ser colhidos da espiga e usados, o que não acontecia antes. Isto permitiu ao homem algumas dezenas de mil anos depois, domesticar algumas espécies de plantas, nomeadamente o trigo (Triticum spp.) e cevada (Hordeum vulgare) -ambas gramíneas- e começar a fazer as primeiras sementeiras. Agora através desta nova invenção havia mais disponibilidade de alimento e aos poucos os caçadores-recoletores foram sendo substituídos pelos agricultores. Se repararmos nos dias de hoje, as culturas com caçadores-recoletores existem apenas em locais onde a agricultura não é possível de ser feita. Com a domesticação das plantas vem também a domesticação de algumas espécies de animais, usados quer como ferramenta de trabalho na agricultura quer como forma de alimentação. Hoje em dia as sementes de arroz (Oryza spp.), milho (Zea mays), trigo (Triticum spp.), cevada (Hordeum vulgare), centeio (Secale cereale), aveia (Avena spp.) e sorgo (Sorghum bicolor), fazem parte da base alimentar da maioria dos países e culturas. Estes cereais são também a base de alimentação da generalidade do gado doméstico. A cana-de-açúcar, também ela uma gramínea é usada para a extração do açúcar e outras são ainda usadas como combustíveis ou na fabricação de bebidas alcoólicas, na construção civil, como matéria prima de algumas industrias, como é exemplo o papel, etc. As gramíneas são também importantes como plantas pioneiras em alguns habitats, por exemplo nas Dunas, onde têm uma importância muito grande para o seu estabelecimento. Espécies como o estorno-das-areias (Ammophila arenaria) e o feno-das-areias (Elymus farctus) são as primeiras a povoar as dunas mais dinâmicas, aquelas que estão em constante mudança devido à força do mar e do vento. Mas são estas plantas que com as suas raízes ramificadas permitem que estes habitats se estabeleçam e criem uma barreira natural ao avanço do mar. Outras espécies são usadas no combate à erosão superficial do solo, como cobertura de terrenos não plantados.

Em Portugal há 92 géneros de gramíneas e cerca de 273 espécies.

foto: Esther Brouwer - Erva-das-Pampas

Apesar de todo este sucesso das gramíneas, não é unânime que estas tenham contribuído para melhorar a vida do homem. A possibilidade de haver mais alimento disponível, deu origem a um aumento populacional, e com este, o consumo foi também ele aumentando. Para produzir mais, o homem “inventou” métodos mais intensivos de agricultura que não respeitaram o meio ambiente, desequilibrando-o. Os cereais são monoculturas- ou seja, produção de apenas um tipo de planta- e estas com o tempo diminuem a biodiversidade dos habitats.

foto: Esther Brouwer - Cana
A perda da biodiversidade é apenas uma boa notícia para certas espécies de insetos que se
alimentam destas culturas, pois têm alimento disponível e não têm predadores. Mas sem predadores o seu número aumenta transformando-as em pragas para a agricultura, As pragas causam grandes perdas de produção e consequente perdas económicas. Para combater estas pragas, o homem encontrou como resposta os inseticidas que são em geral prejudiciais ao ambiente. Mesmo assim, os insetos vão se tornando resistentes aos inseticidas e surge a necessidade de encontrar outros inseticidas ainda mais potentes que matam indiscriminadamente não apenas as pragas mas igualmente os insetos que são amigos do ambiente e responsáveis pela polinização ou que podem ser usados como predadores das pragas. Com o tempo a monocultura diminui a biodiversidade. Uma monocultura tende ainda a empobrecer o solo, pois não há reposição normal de nutrientes. Com um solo pobre há menos produção e para se aumentar a produção o homem teve que encontrar adubos químicos, que por sua vez também prejudicam o ambiente e os solos.  Para além de tudo isso, algumas destas culturas como o milho, o sorgo ou o arroz exigem o suo de muita água, o que também é prejudicial para o ambiente.

Algumas das plantas exóticas invasoras de Portugal são igualmente gramíneas, são os casos da erva-das- Pampas (Cortaderia selloana) ou a cana que habitualmente cresce junto à água dos ribeiros (Arundo donax) e que por serem tão resistentes e bem adaptadas acabam por causar ainda maiores danos não só ambientais mas também económicos quando se tenta erradica-las. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Ciência Viva no Verão 2017




Pelo nono ano consecutivo, A Rocha junta-se ao Centro de Ciência Viva de Lagos e disponibiliza duas atividades nas manhãs de Quintas -feiras. Nos dias 20, 27 de Julho e 17, 24 e 31 de Agosto das 10:20 até às 12:30 temos disponíveis para si e para toda a família, uma visita ao Centro de Interpretação Ambiental da Rocha para identificação de borboletas-noturnas (traças) e anilhagem de aves.
Aprenda mais sobre o comportamento das aves, suas migrações e sobre o comportamento e importância das traças.

As inscrições são feitas online através do site www.cienciaviva.pt. 

Coordenadas de GPS do Centro: 37.142002840112966N -8.609064171105274S


terça-feira, 4 de julho de 2017

A abelha-de-cauda-vermelha (Bombus lapidarius)

foto: Rob Thomas
Abelha-de-cauda-vermelha (Bombus lapidarius)              

Esta espécie de abelha é da família Apidae. É de fácil identificação pelo seu corpo com bandas pretas e vermelhas no abdómem. São como as outras abelhas, gregárias mas as suas colónias não são muito grandes. Também como as outras abelhas elas são de grande importância ambiental pois são excelentes polinizadores. Alimentam-se de néctar e pólen e ocasionalmente dos ovos da colónia, se a rainha não os estiver a proteger. A foto ao lado foi tirada em Inglaterra, esta espécie não se encontra em Portugal. 

Outros nomes: Red-tailed bumblebee (GB); Bourdon des pierres, Bourdon lapidaire (F).

O nome comum foi traduzido do nome comum em inglês.