quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

As Aves na Ria de Alvor

as professoras Carla, Helena e Sandra do 1º ciclo
da Ameijeira
Formação de professores levada a cabo pelo Centro de Formação Rui Grácio e pela Associação A Rocha sob o tema " As Aves na Ria de Alvor" teve adesão de 12 professores de seis escolas de Lagos e Portimão. 

A observação de aves não é apenas uma atividade cientifica de identificação de espécies, é acima de tudo um tempo de contato e exploração da natureza. Aproveitando a Ria de Alvor, sítio Natura 2000, geograficamente tão próxima de professores e alunos das escolas do barlavento algarvio, a observação de aves é uma oportunidade para aguçar a curiosidade e a procura de novas experiências e sensações. Para além disso é uma oportunidade de aprendizagem não apenas das aves mas de outros seres vivos, de entender as relações que mantêm entre si e de perceber o lugar que o Homem ocupa nesse mesmo meio ambiente. O contato com a natureza é essencial para o desenvolvimento de muitas áreas na nossa vida, infelizmente cada vez é menor o tempo e a disponibilidade que temos para o fazer. A vida demasiado preenchida e os novos meios tecnológicos prendem as crianças e os adultos a um estado de sedentarização que nos afasta cada vez mais do que nos rodeia. Tendo todos estes aspetos em conta pretendíamos que esta formação pudesse criar um espírito crítico e protetor do mundo natural nomeadamente da Ria de Alvor e a realização de ações práticas de ecologia cívica. 

trabalhos dos alunos de 2º e 3º ciclo de Vila do Bispo
das professoras Beatriz e Isabel.
Como parte desta formação foram realizados excelentes trabalhos práticos com os alunos. A participação de professores a lecionar níveis de escolaridade diferentes, como o pré-escolar, 1º ciclo, 2º e 3º ciclo, secundário e de disciplinas tão diversas como o Português, a Matemática, a Educação Visual e Tecnológica, as Ciências da Natureza e a Biologia/Geologia, possibilitaram um leque variado de atividades, feitas com e pelos alunos. Estas incluíram jogos, pesquisa, apresentações aos colegas, técnicas de desenho, colagem, debates, construção de ninhos e até modelos matemáticos com o objetivo de determinar a flutuação do número de indivíduos de cinco espécies de aves anilhadas n’A Rocha nos últimos 20 anos.

trabalhos dos alunos de Vila do Bispo
O objetivo da formação, não somente capacitar os professores para uma melhor identificação das aves que nos visitam e das que vemos todos os dias, mas sobretudo permitir que houvesse mais uma razão para atividades ao ar livre, apreciando e contatando com a natureza. Infelizmente muitos dos programas são extensos e muitas vezes não suportam nem apoiam as saídas de campo. No entanto, ouvimos da parte de alguns professores, no final desta formação, que ficaram muito mais sensibilizados não só em relação à importância da Ria de Alvor, como das inúmeras espécies de aves selvagens que se vêm no dia-a-dia. Podemos dizer que o objetivo de criar um espírito crítico e protetor do mundo natural e um melhor conhecimento dos recursos ambientais locais foi francamente atingido. 

trabalho dos alunos do 1º Ciclo da Ameijeira
As aves são de facto dos grupos de animais selvagens aqueles que mais perto se encontram do ser humano e mais facilmente podem ser observados. Para além disso, no que diz respeito ao seu comportamento, são muito parecidas connosco, usando maioritariamente os sons e o visual para comunicar. A Ria de Alvor é um local de paragem para inúmeras espécies de aves durante as migrações e para outras espécies um local de nidificação, fazendo parte de uma grande biodiversidade, essencial à saúde dos ecossistemas que ali se podem encontrar.



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A lagarta da borboleta- bebedora (Euthrix potatoria)

Borboleta- bebedora (Euthrix potatoria)


Video: Pipas Alves

Esta espécie de borboleta noturna pertence à família Lasiocampidae. É bastante comum no sul de Inglaterra ocupando zonas húmidas. Esta foi observada em Junho perto da costa em Lynton. A borboleta tem o nome comum de “Drinker”, (bebedora em português) porque a lagarta “bebe” o orvalho das plantas.  

A lagarta é peluda, com dois tufos na cauda e cabeça e riscas amarelas ou douradas no dorso. De lado tem pontos brancos. Na fase adulta esta espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo a fêmea amarela e o macho acastanhado ambas com dois pontos brancos nas asas. 
Outros nomes: Drinker (GB); Buveuse, Bombyx buveur (F).

a lagarta da borboleta -caveira (Acheronthia atropos)

Borboleta- caveira (Acheronthia átropos)




Video: Isabel Cunha Soares


Esta espécie pertence à família Sphingidae é uma das maiores e mais pesadas borboletas que se conhece. Na fase adulta (borboleta) tem um desenho nas costas que se assemelha a uma caveira daí o seu nome comum. É uma espécie migradora e encontra-se distribuída pela Europa e África. A lagarta é grande e “gorda” numa primeira fase esverdeada e depois amarelada com tons azulados e pontos pretos. Apresenta uma pequena “cauda” facilmente visível e dois pontos pretos na zona da cabeça e por vezes emite um som audível.  As plantas que normalmente escolhe podem ser a Lantana camera (exótica invasora no nosso país) ou solanáceas. A fase de pupa é passada debaixo do solo. Quando adulta adquire bandas pretas e amarelas que fazem lembrar as abelhas e vespas. De facto uma das suas mais interessantes caraterísticas é talvez o gosto que tem por mel. Consegue com alguma facilidade entrar nas colmeias sem ser “vista” e banqueteia-se de mel.  Esta espécie ficou mundialmente conhecida depois do filme “silencio dos inocentes”, pois era usada pelo “serial killer” quando decorava as suas vítimas. 
Outros nomes: Greater death's head hawkmoth(GB);  Esfinge de la calaveira, Esfinge de la muerte (E); Sphinx tête de mort (F).
Esta lagarta foi descoberta na Mexilhoeira Grande em Janeiro pela Lúcia.